Declarações à imprensa do Presidente João Lourenço, após inauguração às centrais fotovoltaicas

Declarações à imprensa do Presidente da República, João Lourenço, após inauguração e visita às centrais fotovoltaicas do Biópio e da Baía Farta, hoje, 20 de Julho, na província de Benguela.

No final dos actos de inauguração dos parques fotovoltaicos de Benguela (Biópio e Baía Farta), o Presidente da República respondeu a questões colocadas pelos jornalistas, ocasião em que reafirmou o empenho do seu Executivo na resolução dos desafios que a electrificação do país coloca, para atender as necessidades de consumo das populações e os propósitos de industrialização do país.

João Lourenço referiu os números desse gigantesco esforço (7 mil milhões de dólares) até à previsão da conclusão dos grandes projectos do sector, que passam pela construção de fontes de produção hídricas (Caculo Cabaça como a principal aposta) e centrais de energia renovável.

O Presidente da República considerou que o país caminha de maneira firme para o cumprimento das metas que anunciou na Cimeira do Clima realizada o ano passado em Glasgow, Escócia, no seu proclama de reconversão da matriz energética: menos energia a partir de combustíveis fósseis e maior utilização de energias limpas.

Data de Emissão: 20-07-2022 às 00:00
PARTICIPANTES
Presidente da República em entrevista à RTP

Presidente da República em entrevista à RTP | Lisboa, 28 de Junho de 2022

 

Data de Emissão: 28-06-2022 às 21:00
Género(s): Entrevista
Tópicos(s): RTP
PARTICIPANTES
Discurso do Presidente da República na Conferência dos Oceanos

Discurso do Presidente da República na Conferência dos Oceanos

Excelência Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa,
Excelência Uhuru Muiga Kenyatta, Presidente da República do Quénia,
Excelência António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas,
Excelências Senhores Presidentes, Chefes de Estado e de Governo,
Excelência Abdulla Shahid, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas,
Excelência Collen Vixen Kelapile, Presidente do Conselho Económico e Social das Nações Unidas,
Digníssimos Chefes de Delegação e Parceiros Internacionais,
Distintos Convidados,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,

É com bastante satisfação que participo nesta II Conferência das Nações Unidas dedicada aos Oceanos, durante a qual teremos a oportunidade de abordar todos os aspectos relacionados com este tema e procurar perceber a evolução que se registou desde o evento anterior e, em face disso, perspectivarmos as acções futuras para cuidarmos colectivamente deste bem comum.
Estamos diante de mais uma oportunidade de analisarmos tudo o que fizemos para garantir o cumprimento das metas definidas pelas Nações Unidas em termos da redução da poluição marinha, da proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros, da redução da acidificação dos mares, do fim da pesca excessiva e da pesca ilegal.

Excelências,Minhas senhoras, Meus senhores,

Os oceanos são, não só uma importante fonte de riquezas para as economias dos países por eles banhados, como desempenharam sempre um importante papel na mobilidade dos povos, na interação e integração das diferentes culturas, religiões, hábitos e costumes dos povos e nas trocas comerciais entre as nações.
Chefes de Estado e de Governo, representantes da comunidade científica, o sector privado e a sociedade civil, procurarão nesta Cimeira encontrar respostas para a crescente necessidade de implementarmos novos paradigmas de exploração sustentável dos imensos recursos que os Oceanos colocam à nossa disposição, os quais temos que procurar explorar de forma cada vez mais sustentável e preservar para as gerações vindouras.

Os oceanos constituem a maior biosfera do planeta e a eles estão associados um conjunto de benefícios para a Humanidade, os quais devemos salvaguardar para que as gerações do futuro tenham uma qualidade de vida melhor.

O triste cenário que hoje constatamos impele-nos a agir com a máxima urgência por forma a encontrarmos soluções que invirtam a actual tendência de poluição dos mares e oceanos e de exploração desregrada dos recursos marinhos.

Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Num momento em que o meu país se está a preparar para realizar eleições gerais nas próximas semanas, decidi, apesar disso, vir a Lisboa para me associar à reflexão conjunta que aqui faremos sobre os oceanos, assunto de capital importância para a sobrevivência da Humanidade.
O Governo angolano integrou no seu Plano de Desenvolvimento Nacional o ordenamento das actividades que ocorrem no mar de modo a potenciar a economia azul através do reforço da fiscalização e regulação da exploração
dos recursos marinhos.

Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,

A República de Angola mantém uma relação com o Oceano Atlântico que nos obriga a cada momento a desenvolver iniciativas e a procurar soluções que concorram para a sua utilização em moldes que o protejam e sirvam os interesses de todos os países que lhe são ribeirinhos.

É em função desta perspectiva que temos vindo a desenvolver acções no sentido de alargar os limites da nossa Zona Económica Exclusiva, para o que temos procurado dar os passos necessários junto da comissão competente das Nações Unidas, com vista a consagrarmos legalmente este objectivo, na base do qual poderemos passar a utilizar e proteger os recursos que se encontram em zonas próximas da nossa costa e que têm vindo a ser objecto de delapidação por parte de frotas pesqueiras estrangeiras não licenciadas.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Não é hoje possível falarmos da necessidade da preservação e melhor exploração dos recursos marinhos sem falarmos também na necessidade da proteção do Ambiente no geral, cuja degradação se reflecte negativamente nos
mares e oceanos.

O aquecimento global é responsável pelo degelo da calote glaciar que vem aumentando assustadoramente o nível das águas do mar, colocando em perigo cidades e outros assentamentos populacionais do litoral à escala universal. Este mesmo aquecimento global, que aumenta a temperatura média das águas dos oceanos, também é responsável pelo aumento expressivo do número de ciclones, furacões e tsunamis no Atlântico, no Índico e no Pacífico e que, sendo cada vez mais frequentes e devastadores, têm causado um elevado número de vítimas humanas e danos materiais consideráveis em praticamente todos os continentes.

É nossa responsabilidade tomarmos todas as medidas com vista a reduzir cada vez mais a emissão de gases com efeito de estufa, para proteger a camada de ozono e, consequentemente, o planeta.

Angola vem dando nos últimos anos passos significativos no sentido de reduzir a queima de combustíveis fósseis para produção de energia eléctrica. Privilegiamos a produção e transportação de energia de fontes hídricas para todo o país e apostamos em ambiciosos projectos de produção de energia fotovoltaica no centro, sul e leste do país, cujos primeiros parques serão inaugurados e sua energia injectada na rede nacional já neste mês de Julho que se avizinha.

Com a assinatura há dias de um importante contrato com uma empresa alemã, começámos a dar os primeiros passos na produção de hidrogênio verde para exportação a partir de 2024. Temos feito em Angola um grande esforço de qualificação de quadros capazes de ajudar o país a atender com a eficácia e a eficiência requeríveis os assuntos relacionados com as principais preocupações à volta dos oceanos e, neste sentido, temos realizado um exercício importante em parceria com o Programa Rise Africa da União Europeia, com vista a abordar a questão do agravamento da poluição marinha, sobretudo a proveniente dos resíduos sólidos urbanos, dos quais o plástico constitui o maior problema.

Estamos a prestar uma atenção especial às Zonas Húmidas que fazem parte do ecossistema marinho e costeiro, priorizando, neste âmbito, a proteção e a conservação destas áreas através de acções de reflorestação e conservação de mangais, com destaque para a campanha de plantação, em oito meses, de um milhão de Mangais em toda a orla costeira angolana, realizada com a participação activa da sociedade civil angolana, principalmente de jovens que se dedicam a causas ambientais.

Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Estamos convencidos que não conseguiremos realizar os objetivos relacionados com a proteção do ecossistema marinho se não assumirmos com coragem a necessidade de se reforçar a capacidade de defesa e segurança marítima, fortemente ameaçadas por grupos de modernos piratas do mar que desenvolvem a sua actividade terrorista nas principais rotas marítimas, ameaçando seriamente o comércio internacional e a segurança nos oceanos.

Neste capítulo, destaco muito em particular os problemas que se registam no Golfo da Guiné, no Corno de África e em outras zonas do planeta, onde a pirataria ameaça seriamente a utilização dos mares para fins pacíficos como as trocas comerciais, o turismo e outras actividades conexas que impulsionam as economias.
Considero importante a necessidade de se alargar a cooperação internacional com os países destas regiões, de modo a dotá-los de capacidade para fazerem face a esta ameaça global.

Torna-se cada vez mais evidente a importância dos oceanos para o fluxo regular de mercadorias, o seu impacto no comércio mundial e na estabilização dos preços de bens essenciais e das matérias-primas, assim como no funcionamento normal da economia global.

Perante esta constatação, sobressai necessariamente a importância fulcral e a necessidade incontornável da utilização pacífica dos oceanos, como garante da sobrevivência, em condições humanamente dignas, das populações de todo o nosso planeta.

Os oceanos, os mares e as infra-estruturas terrestes a eles ligados – como os portos comerciais-, são de tal ordem importantes para as economias e para o bem-estar dos cidadãos do mundo inteiro que o bloqueio dos portos ucranianos do Mar Negro está a causar a crise alimentar global que vivemos actualmente, pela escassez de cereais, de fertilizantes e de oleaginosas para a produção de óleo alimentar.

A esse respeito, importa que a União Europeia, as Nações Unidas e, de uma forma geral, toda a Comunidade Internacional, priorize e concentre os seus principais esforços na busca de um cessar fogo imediato e incondicional, seguido de negociações com as partes consideradas importantes, para se alcançar e construir uma paz que seja verdadeiramente duradoura para a Europa e o resto do mundo.

Num momento em que não se conseguiu ainda superar a tensão reinante no sudeste asiático, na península coreana, nem no Golfo Pérsico, qualquer uma delas com potencial de evoluir para uma confrontação nuclear, o mundo já não suporta o eclodir e manutenção de um novo conflito em pleno coração da Europa, pelas consequências que tem para a economia global mas, sobretudo, para a paz e segurança mundial.

Excelências,Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Não poderia deixar de referir o grande esforço de cooperação que os Estados-membros da CPLP vêm realizando para assumir um protagonismo empenhado e interessado no debate sobre as questões relacionadas com os oceanos, se tivermos em conta o facto de sermos todos países costeiros e insulares.

Destaco em todo este contexto algumas iniciativas bastante louváveis que foram sendo levadas a cabo como os «Blue Talks», que se constituíram numa plataforma de debates bastante úteis realizados durante as semanas que antecederam esta Conferência.

Uma grande evidência da relevância que a CPLP atribui à sua relação com os oceanos é a Declaração do Namibe, aprovada na província angolana com o mesmo nome.
Trata-se de um importante documento jurídico que foi amplamente discutido entre todos os Estados-membros e visa a criação de uma Plataforma de Cooperação na Promoção da Pesca Sustentável e Combate à Pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada, entre os Estados-membro da CPLP.

Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Queria aproveitar a ocasião para agradecer Sua Excelência Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, e Sua Excelência Uhuru Muiga Kenyatta, Presidente da República do Quénia, por esta importante iniciativa
da realização desta Conferência e pelas excelentes condições de trabalho e acomodação proporcionadas às delegações presentes. 

Igualmente agradeço às autoridades portuguesas e a este povo acolhedor pela hospitalidade que nos está sendo brindada.

Muito obrigado.

Data de Emissão: 27-06-2022 às 10:00
Género(s): Discurso
Tópicos(s): CimeiraConferênciaLisboaOceanos
PARTICIPANTES
Discurso do Presidente da República, João Lourenço, por ocasião do 4 de Abril de 2022 e os 20 anos de paz

Discurso do Presidente da República, João Lourenço, por ocasião do 4 de Abril de 2022 e os 20 anos de paz

Depois de Angola ter vivido em guerra permanente durante os primeiros 27 anos após a Independência, a paz foi finalmente estabelecida aos 04 de Abril de 2002,  tendo se passado já exactos vinte anos. 

Ao longo da sua existência como povos que sempre resistiram à ocupação colonial portuguesa, as duas maiores conquistas alcançadas pelos angolanos  foram, sem dúvida alguma, a Independência Nacional e a Paz e Reconciliação Nacional, dois importantes marcos da nossa história recente. 

Se, por um lado, o colonialismo português foi responsável por escravizar os angolanos no seu próprio país ou nas Américas para onde foram deportados em condições desumanas, foi também responsável pela continuada pilhagem das nossas riquezas com as quais foram erguidas as capitais europeias, por outro lado, a guerra pós-Independência foi responsável pela morte e mutilação de milhares de angolanos e também pela destruição das infra-estruturas nacionais e pelo atraso do desenvolvimento económico e social do país. 

O longo conflito armado deixou sequelas profundas, comprometeu o futuro de várias gerações de angolanos e adiou o sonho de construir uma Angola próspera e desenvolvida. 

Ultrapassados estes momentos de triste memória, os angolanos devem ficar hoje focados na consolidação da paz e da reconciliação nacional, no aprofundamento da democracia e no desenvolvimento económico e social do país.  

Caros Compatriotas 

Para haver paz e reconciliação entre os angolanos, precisamos de reconhecer publicamente que no passado fizemos coisas condenáveis e que nos comprometemos a nunca mais enveredar por aqueles caminhos, que todas as divergências e contradições entre os diferentes actores políticos e sociais devem ser dirimidas por via do diálogo aberto e transparente ou por via dos competentes órgãos de Justiça, ali onde houver fortes indícios de violação da Lei. 

É dentro deste espírito de reconciliação que o Chefe de Estado angolano abriu o caminho que levou à exumação, transladação e enterro definitivo, na sua terra natal, do ex-líder do maior Partido da oposição angolana. 

É igualmente dentro desse mesmo espírito que foi criada a CIVICOP, Comissão do Perdão pelas Vítimas dos Conflitos Políticos ocorridos entre a data da Independência Nacional e o 04 de Abril de 2002, data da assinatura do acordo de paz e reconciliação nacional. 

Os trabalhos desta comissão, que congrega para além de representantes do Executivo também representantes de partidos políticos e da sociedade civil, dão sinais bastante encorajadores pelos primeiros resultados alcançados, com o abraçar entre irmãs e irmãos, a emissão de certidões de óbito de entes queridos desaparecidos há décadas e a entrega possível das ossadas dos mesmos aos familiares, após confirmação por exames de ADN. 

Compreendemos que este processo, que já resultou na entrega de algumas ossadas, é complexo e demorado, mas o Estado assegura que vamos continuar engajados os anos que forem necessários para confortar o maior número possível de famílias, ansiosas por terem de volta seus entes queridos para  lhes dar um funeral condigno, como mandam as tradições africanas e  a nossa cultura cristã. 

Mas a manutenção da paz só é possível se todos os actores políticos tiverem o mesmo entendimento sobre a reconciliação nacional e a necessidade da tolerância política entre os diferentes partidos políticos e seus militantes e apoiantes. 

Aproximam-se as eleições gerais de Agosto do corrente ano e com elas as actividades de pré-campanha e campanha política que lhe são inerentes. Haverá o máximo de liberdade nos marcos da lei e da ordem pública, mas também a necessidade da máxima contenção entre apoiantes de um e de outro partido concorrente. 

Os partidos políticos devem educar os seus militantes e apoiantes  a se comportarem com civismo e patriotismo, porque a  violência contra as pessoas e o património público e privado não será tolerada pela sociedade angolana. 

Amanhã vamos todos participar do culto ecuménico para ouvir a mensagem divina que nos será transmitida e que sabemos ser sempre uma mensagem de paz, de perdão, de  concórdia e de reconciliação entre os angolanos. 

Será uma mensagem dirigida aos angolanos no geral, mas sobretudo aos  líderes políticos a todos os níveis, para que se comprometam perante a Nação a defender e a preservar a paz, não só em períodos pré-eleitorais,  mas sempre. 

Minhas Senhoras, Meus Senhores 

O mundo vive hoje uma situação de crise de segurança energética e alimentar preocupante e, por isso, deve merecer a atenção não só dos governos mas também do sector empresarial privado. 

Os preços dos combustíveis e dos principais bens e produtos de consumo já estão a  aumentar em todo o mundo, como consequência da menor oferta dos mesmos. 

Hoje mais do que nunca, o país deve apostar na construção de refinarias para a produção de refinados do petróleo para sermos cada vez menos dependentes da importação destes. Em boa hora decidimos investir no aumento da capacidade de produção de derivados do petróleo na refinaria de Luanda, cujos benefícios começaremos a sentir já a partir de Junho do corrente ano.  

Esperamos que a refinaria de Cabinda arranque de facto ainda este ano, produzindo, como programado, metade da capacidade projectada, até atingir a sua capacidade máxima.  

Do consórcio que venceu o concurso público para a construção da refinaria do Soyo esperamos maior celeridade para o início efectivo dos trabalhos de construção dentro de prazos razoáveis. 

O sector do petróleo e gás deve acelerar o  trabalho que vem realizando com os  investidores privados do ramo, para a retoma tão cedo quanto possível  da construção da refinaria do Lobito, assim como trabalhar com as multinacionais petrolíferas na necessidade do desenvolvimento de novos campos de  produção de petróleo e de gás não associado. 

Hoje mais do que nunca impõe-se a necessidade da efectiva diversificação da nossa economia, sobretudo na produção de bens essenciais  de consumo  industriais e agrícolas,  com destaque para os cereais e grãos como o trigo, o arroz, a soja e o milho. 

Almejamos ter um sector privado da economia capaz de assumir o lugar que lhe está reservado numa economia de mercado,  para que possamos retomar o crescimento económico de modo sustentado e gerar empregos.  

Para que isso se torne uma realidade, a Banca comercial deve cumprir com o seu papel de entidade essencialmente credora. 

O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) deve se transformar num  verdadeiro banco de fomento com actuação à escala nacional, financiando os projectos dos investidores privados que demonstrem estar verdadeiramente comprometidos com a produção interna de bens essenciais de amplo consumo. 

Caros Compatriotas 

Com alguma determinação, organização e disciplina, temos sabido enfrentar, nos últimos dois anos, o desafio da pandemia da COVID-19 e suas consequências sociais e económicas. 

Preparemo-nos para enfrentar esta mais recente  crise,  a energética e alimentar  resultante do conflito militar na Ucrânia,  que requer das lideranças mundiais geri-la  com sabedoria e ponderação, para se garantir um cessar fogo efectivo e se negociar uma paz e segurança duradouras, não apenas entre os dois países em conflito,  mas para toda Europa e o mundo.  

Mais ou menos no mesmo período de cerca de três anos, estamos também a lidar com um outro tipo de crise, a seca severa no sul de Angola, que tem ameaçado a  sobrevivência e a própria vida das pessoas e dos animais que, por sinal, são por tradição histórica a principal riqueza daquelas populações. 

Não só o Executivo, como também os empresários e as organizações da sociedade civil, têm se desdobrado em esforços com vista a minimizar o sofrimento das populações através da distribuição de alimentos, água, roupas, cobertores e outros bens, assim como se tem vindo a investir na limpeza e abertura de novos furos e de represas de contenção da pouca água da chuva, quando cai. 

Todas estas medidas ajudam a  minimizar  a situação, mas são pouco duradouras no tempo, portanto, insuficientes. 

Foi tendo plena consciência do carácter efémero das medidas de emergência que fomos tomando na altura que, na sequência da visita que realizámos à localidade das cacimbas em Ombala Yo Mungo, município de Ombandja, em Maio de 2019, o Executivo decidiu pela construção de um canal a céu aberto  com mais de 160 km de extensão a partir do rio Cunene na localidade do Cafu, com o fim de servir sobretudo as comunidades locais.  

Considerando que só em paz os países se desenvolvem e se torna possível resolverem-se os problemas do povo, decidimos fazer coincidir a inauguração deste importante projecto com o dia 04 de Abril, dia da Paz e da Reconciliação Nacional. 

Temos em carteira outros projectos do género para a região, cuja execução vai acontecer à medida que formos sendo capazes de mobilizar, nos próximos anos, os necessários recursos financeiros.  

Tratam-se de projectos avultados e morosos mas que se justificam com o  facto de todos sabermos que água é vida, e a vida das pessoas não ter preço. 

Caros Compatriotas 

Angolanas e Angolanos 

Nesta data comemorativa do vigésimo aniversário da paz em Angola, uma palavra de reconhecimento a todos os angolanos, jovens, estudantes e combatentes,  mulheres e homens, trabalhadores, camponeses, operários e intelectuais, fiéis e líderes religiosos, que tendo consentido os maiores sacrifícios, tornaram possível a paz que salvou Angola da hecatombe. 

Um reconhecimento particular ao Presidente José Eduardo dos Santos, por ter sabido ler e interpretar correctamente o sentimento que se lia nos olhos de cada angolano, desejosos de estender um abraço fraterno de paz e perdão aos irmãos filhos da mesma mãe,  Angola. 

Reconhecendo os  inquestionáveis ganhos que obtivemos ao longo destes vinte anos,  exorto a todos  os angolanos a trabalharmos de mãos dadas na preservação e consolidação da paz, que muito custou a conquistar. 

 

 

Data de Emissão: 03-04-2022 às 00:00
PARTICIPANTES
Discurso do PR João Lourenço, no Fórum Aswan para a Paz e o Desenvolvimento Sustentável

Discurso do PR João Lourenço, no Fórum Aswan para a Paz e o Desenvolvimento Sustentável

Excelência Senhor Presidente da República Árabe do Egipto, Abdel Fattah Al Sisi,

Excelentíssimos Chefes de Estado e de Governo,

Excelências Representantes de Organizações e Organismos Internacionais,

Minhas Senhoras e meus Senhores.

Permitam-me, em primeiro lugar, agradecer o convite que me foi endereçado por Sua Excelência Presidente da República Árabe do Egipto, Abdel Fattah Al Sisi, para participar no II Fórum Aswan sobre o tema “Recuperação pós-Covid-19: Reforçar a Paz e o Desenvolvimento Sustentável em África”, que se realiza num contexto internacional complexo e de grandes desafios, impostos pelo impacto da pandemia da Covid-19, que afectam as sociedades e as economias a nível mundial.

Os importantes temas agendados para este encontro apelam-nos a uma resposta inovadora e ambiciosa a uma das crises mais graves que a Humanidade conhece e que atinge milhões de pessoas em todos os continentes, devido à emergência sanitária, à desaceleração do crescimento económico e, consequentemente, a uma retracção do desenvolvimento humano e sustentável.

Esta situação tem provocado uma fragilização do tecido social, o empobrecimento acentuado das famílias, o aumento do desemprego, sobretudo juvenil, e a redução das oportunidades do mercado informal.

Perante este quadro, a nossa acção para o futuro necessita de respostas inovadoras e ambiciosas para enfrentar esta grande crise que, apesar da sua complexidade, pode constituir também uma oportunidade para forjar uma plataforma de acções conjunta entre as nações.

No início da pandemia, antevia-se para os países africanos um cenário de catástrofe humana sem precedentes, agravado pelas múltiplas condições de vulnerabilidades estruturais existentes, propícias a inverter os progressos conseguidos, nas últimas décadas, na luta contra a pobreza e na luta contra o crescimento das desigualdades sociais.

Felizmente, os países têm conseguido resistir através de medidas de biossegurança, tratamentos e cuidados sanitários, acesso aos testes e início de uma ampla cobertura de imunização através das vacinas, cujo acesso deve ser considerado como um bem público global e disponível para todos.

Senhor Presidente

Excelências

Reafirmamos o compromisso de Angola com a Agenda 2063, que tem como princípio o desenvolvimento sustentável, a coesão social e a paz, para encontrar soluções africanas para problemas africanos em busca da “África que nós queremos”, como refere a Carta da União Africana.

Nos últimos anos, Angola tem desenvolvido um conjunto de mecanismos inclusivos para o reforço da coesão nacional, através do envolvimento de todos angolanos no processo de construção de uma paz sustentável e duradoura, capaz de trazer reflexos económicos e sociais positivos na vida de todos os cidadãos.

Apesar dos efeitos negativos causados pela pandemia da Covid-19, estamos a executar acções que visam a promoção sustentável, o desenvolvimento socioeconómico e um conjunto de políticas que têm permitido a inclusão económica e social das famílias mais vulneráveis.

Encorajamos os esforços conjuntos para a paz e a segurança regional, a continuarem como prioridades na agenda dos países africanos e, neste domínio, Angola tem vindo a desenvolver acções específicas para garantir a sua implementação efectiva, através do diálogo entre os países da nossa sub-região.

A realização da segunda edição da “Bienal de Luanda-Fórum PanAfricano para a Cultura de Paz” é uma clara afirmação da confiança dos Estados na construção de novos caminhos para concretizar a cultura de paz em África, cujo compromisso Angola assume desde 2019 e que foi reafirmado, recentemente, na última cimeira da União Africana.

Assim, é de extrema importância o engajamento e empenho de todos os actores políticos e da sociedade civil africana na compreensão total dos desafios que enfrentamos, para que se transformem em acções efectivas, na melhoria dos indicadores de desenvolvimento que propiciam o bem-estar para todas as comunidades africanas.

É neste espírito que saudamos a realização deste Fórum e convidamos todas altas entidades da política, os empresários, os intelectuais e a sociedade civil africana, a aderirem a esta grande iniciativa, para juntos enfrentarmos os desafios do futuro.

Muito obrigado pela atenção.

Data de Emissão: 03-03-2022 às 00:00
Género(s): Discurso
Tópicos(s): EgiptoFórum Aswan DiscursoJoão LourençoPR
PARTICIPANTES
Entrevista ao Jornal Financial Times com Presidente João Lourenço

PRESIDENTE DA REPÚBLICA ENTREVISTADO PELO FINANCIAL TIMES

Sonangol e Endiama podem ser privatizadas no próximo ano

A privatização parcial da Sonangol, Endiama e da TAAG pode acontecer no próximo ano, caso o processo de reestruturação termine no prazo previsto. Este processo vai garantir as condições para a venda de parte dos activos das três maiores empresas de Angola.

 

João Lourenço fez estas declarações durante a entrevista concedida ao Financial Times, um dos jornais mais lidos a nível mundial.

 

Na entrevista, o Chefe de Estado abordou questões inerentes ao programa de reformas económicas em curso no país, sobre a possibilidade de renovação do programa ampliado de financiamento do Fundo Monetário Internacional( FMI) e de novos financiamentos externos para alavancar a economia nacional.

 

O Presidente da República falou igualmente sobre o plano de diversificação da indústria petrolífera, para produção de energias renováveis, do combate à corrupção, da sua relação com o antigo Presidente José Eduardo dos Santos, das eleições no MPLA e no país.

 

Para João Lourenço, é remota a possibilidade do MLPA obter resultados baixos nas próximas eleições gerais.

Data de Emissão: 20-10-2021 às 09:00
Género(s): Entrevista
 
PARTICIPANTES
Discurso do PR na mini-cimeira sobre a paz na RCA

Íntegra do discurso proferido por João Lourenço Presidente  em Exercício da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos

Permitam-me saudar Vossas Excelências e desejar-lhes as boas vindas a Luanda, cidade capital de Angola, que comemorou 445 anos de existência no passado dia 25 de Janeiro e onde  se realiza esta Cimeira da CIRGL em formato reduzido, que se debruçará sobre a preocupante situação de insegurança reinante na República Centro Africana. 

Agradeço a Vossas Excelências por terem correspondido ao meu convite para participarem presencialmente nesta Mini Cimeira, apesar do período conturbado e de incertezas que vivemos, provocado pela pandemia da covid-19, num sinal de inequívoco interesse e preocupação pelos problemas candentes da Região dos Grandes Lagos e em especial da República Centro Africana, onde se vem observando o recrudescimento do conflito desde as eleições presidenciais realizadas a 27 de Dezembro último. 

Excelências, 

Na qualidade de Chefes de Estado, temos a responsabilidade de defender a paz, a segurança e a estabilidade política e social dos países que integram a nossa sub-região. Queremos uma sub-região dos Grandes Lagos livre de conflitos armados, de desnecessárias mortes, destruição e deslocações forçadas das suas populações. Queremos desenvolvimento económico e social, prosperidade para os nossos povos, o que só é possível se trabalharmos unidos na resolução dos conflitos existentes, que se arrastam por demasiado tempo. 

Considero, portanto, que esta Cimeira de Luanda constitui uma oportunidade a não desperdiçar na busca dos melhores caminhos para se alcançar uma solução justa e sustentável, que garanta a Paz e a Segurança na República Centro Africana. 

Aproveito esta tribuna para lançar, em nome da CIRGL, um apelo vibrante a toda à classe política e à sociedade civil centro-africana, no sentido de ultrapassar com sentido patriótico, e na defesa dos superiores interesses da Nação, as divergências reais ou forjadas que ainda prevaleçam. 

Assumamos um papel construtivo e influenciador junto das forças vivas da República Centro Africana, para que compreendam a inviabilidade da via militar para a solução do conflito e se predisponham a aceitar o diálogo com o governo legítimo do país. 

Não podemos observar, de forma passiva, a situação inaceitável que se desenrola naquele país, cujo governo legítimo está inexplicável e injustamente condicionado pela Resolução 2536 de 2020 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no que respeita à sua função essencial de garantir a segurança e a protecção das populações, deixando-o numa situação de grande fragilidade, face à crescente facilidade das forças rebeldes em adquirir armas de todos os calibres e poder de fogo.

Toda nossa acção em prol da Paz e Segurança na República Centro Africana será desenvolvida em estreita cooperação com o Presidente da Comissão da União Africana e com o Secretário Geral das Nações Unidas, a quem reportaremos com regularidade.

Excelências, 

Permitam-me que termine expressando o meu desejo de que as nossas discussões produzam conclusões que ajudem, de forma prática, na melhoria da situação vigente, actualmente, na República Centro Africana, com vista a permitir que se inicie uma nova era de paz, estabilidade e de prosperidade para os povos da nossa sub-região. 

Muito obrigado a todos pela atenção.

Data de Emissão: 29-01-2021 às 00:00
Género(s): Discurso
Tópicos(s): Grandes lagosJoão LourençoRDC
PARTICIPANTES
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