E Agora Pergunto Eu...- Edição de 4 de Novembro de 2022

Seja bem-vindo, querido amigo, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 04-11-2022 às 18:15
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E Agora Pergunto Eu... Edição de 28 de Outubro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 28-10-2022 às 18:15
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E Agora Pergunto Eu... Edição de 21 de Outubro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 21-10-2022 às 18:15
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E Agora Pergunto Eu... Edição de 14 de Outubro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 14-10-2022 às 18:15
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E Agora Pergunto Eu... Edição de 7 de Outubro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte a esse seu espaço onde perguntar não ofende. 

Data de Emissão: 07-10-2022 às 18:20
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E agora pergunto eu... Edição de 30 de Setembro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

 

Data de Emissão: 30-09-2022 às 18:15
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E agora pergunto eu... Edição de 23 de Setembro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 23-09-2022 às 18:15
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E Agora Pergunto Eu... Edição de 16 de Setembro de 2022

Seja bem-vindo, querido amigo, a  esse seu espaço onde perguntar não ofende.

 

Data de Emissão: 16-09-2022 às 18:30
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E Agora Pergunto Eu...Edição de 09 de Setembro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

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E agora pergunto eu .....edição de 02 de Setembro de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

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Agora pergunto eu ....Edição de 26 de Agosto de 2022

Seja bem-vindo, querido ouvinte a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 26-08-2022 às 18:30
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Edição de 19 de Agosto de 2022
 

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Data de Emissão: 19-08-2022 às 18:30
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Edição de 5 de Agosto
 

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Edição de 29 de Julho de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 29-07-2022 às 18:20
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Edição de 22 de Julho de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 22-07-2022 às 17:20
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Edição de 15 de Julho de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 15-07-2022 às 18:15
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Edição de 08 de Julho de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde perguntar não ofende…

Data de Emissão: 08-07-2022 às 18:30
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Edição de 01 de Julho de 2022
 

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Edição de 24 de Junho de 2022
 

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Data de Emissão: 24-06-2022 às 18:15
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Edição de 17 de Junho de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse espaço onde perguntar não ofende…

 

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Edição de 10 de Junho de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse espaço onde perguntar não ofende…

 

Data de Emissão: 10-06-2022 às 00:18
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Edição de 3 de Junho de 2022
 

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Data de Emissão: 03-06-2022 às 00:18
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Edição de 27 de Maio de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde…

Data de Emissão: 27-05-2022 às 00:18
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Edição de 20 de Maio de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde…

Data de Emissão: 20-05-2022 às 00:18
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Edição de 13 de Maio de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde…

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Edição de 6 de Abril de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte…

Data de Emissão: 06-05-2022 às 18:15
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Edição de 6 de Maio de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte, a esse seu espaço onde…

Data de Emissão: 06-05-2022 às 00:18
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Edição de 29 de Abril de 2022
 

Seja bem-vindo, querido ouvinte…

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Edição de 22 de Abril de 2022
 
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Edição de 15 de Abril de 2022
 
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Edição de 8 de Abril de 2022
 

A semana que passou viu a actualidade marcada pelo discurso de abertura de campanha do presidente do MPLA que, na salada típica a que o partido-Estado já nos habituou, tinha ido à província nas vestes (e com os meios) de PR, inaugurar uma obra pública, um canal de água que vai, esperemos, começar a dar solução aos crónicos problemas da seca no sul. A meio do caminho o PR tirou a camisa de PR de Angola e vestiu a do partido-Estado. O aproveitamento político de toda e qualquer obra feita com dinheiro público que transforma obras também públicas em favores que o partido-Estado faz ao povo é indisfarçável…

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Edição de 1 de Abril de 2022
 

Seja bem-vindo, querido leitor a este seu espaço onde perguntar não ofende. Depois de uma semana em que a actualidade internacional foi marcada pela chapada que Will Smith pregou no comediante Chris Brown, que fez uma gracinha com a condição de saúde da mulher que leva à perda de cabelo, a alopecia. Este momento em que, para vergonha partilhada, se comprovou a tendência barraqueira da raça, obliterou os próprios Óscares, com muita pena, obliterou o Óscar recebido depois de mais de 150 filmes (com rendas acima doa 27 mil milhões de USD) pelo gigante Samuel Jackson pelas mãos do gigante Denzel Washington, a chapada obliterou tudo o resto e até destronou a Ucrânia do topo das conversas nas redes mundiais. O gesto idealizado provavelmente como de romântica bravura acabou se confundido com o contrário porque é difícil não questionar “e se a piada tivesse vindo de uma boca mais intimidante do que a de Rock, Will Smith se levantado da cadeira com tanta vontade? A famosa chapada tem também semelhanças com a intervenção russa para alem do timing. Só a chapada para tirar da agenda mediática o presidente russo Vladimir Putin, que Joe Biden chegou na semana antepassada ao cúmulo de dizer que não pode continuar no poder na Rússia (o presidente americano a querer decidir quem é o líder russo quase como o nosso PR quis decidir quem era o líder da oposição). A semelhança à chapada ocorre no sentido em que ambas deixam um inequívoco mau estar, um desconforto típico fruto de assistir um mais forte agredir, esmagar publicamente, um mais fraco. Um desconforto que não desaparece ainda que o mais fraco se tenha assanhado, e que o mais forte tenha motivo válido para o ‘chapar’, é sempre um mais forte a esmagar um mais fraco, sempre uma dose de cobardia ainda que disfarçada por uma capa qualquer de justiça ou direito.

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Edição de 25 de Março de 2022
 
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Edição de 18 de Março de 2022
 

Esta semana, talvez para evitar a inevitável guerra na Ucrânia e mantendo figas para que os políticos que não a evitaram já se sintam satisfeitos com os estragos e mortandade e cheguem a algum tipo de acordo que pare a guerra, e, porque enquanto ia começar a pensar na pergunta desta semana recebi mais uma mensagem do MAT a lembrar da actualização do registo eleitoral, pus-me a pensar e a perguntar-me qual será a reacção dos angolanos a essas mensagens e qual seria a motivação de cada um para ir votar. A motivação para o voto é alvo de estudo em várias paragens porque o voto é fundamental para a prática da democracia, por sua vez o sistema que genericamente queremos que organize o nosso governo e a nossa sociedade…

 

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Edição de 11 de Março de 2022
 
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Edição de 4 de Março de 2022
 

Esta foi uma semana em que foi impossível escapar à guerra na Ucrânia, às histórias das vidas
destruídas, do sofrimento das famílias separadas, das crianças postas em transportes aos prantos
para longe dos pais que temem pela sua segurança, dos soldados russos em lágrimas por não
quererem lutar contra os irmãos ucranianos, muitos com familiares dos dois lados das fronteiras,
dos russos maltratados porque do dia para a noite são, independentemente da sua opinião sobre a
guerra ou sobre o governo, o alvo da fúria mundial. Foi impossível escapar ao espectro da terceira
guerra mundial às ameaças surdas e mudas do uso de armas químicas com consequências difíceis
de prever para a humanidade, à dúvida sobre os dois pesos e duas medidas usadas em diferentes
guerras que, apesar de terem os mesmos resultados – devastação e morte –, recebem tratamentos
e atenções tão diferenciadas de acordo com interesses velados. Foi impossível escapar ao medo,
ao bullying de discursos que se fundamentalizam, a pressões para cedência a manipulações e à
desinformação que faz duvidar de tudo quanto se lê e se ouve vindo dos dois lados que esgrimem
argumentos como se a guerra pudesse algum dia ser ganha como um jogo de futebol.
Há um meme com dois extra-terrestres a olhar para o planeta Terra e em que um diz para o
outro “estás a ver o que fazem? Como te dizia, não há sinal de inteligência no planeta azul?” que
nestas alturas faz imenso sentido…

Data de Emissão: 04-03-2022 às 18:20
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Edição de 25 de Fevereiro de 2022

Edição de 25 de Fevereiro de 2022 de Geralda Embalo

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Edição de 18 de Fevereiro de 2022

Na semana que passou, decorreu a Cimeira União Europeia e União Africana em Bruxelas, que contou com a presença de mais de 40 líderes dos dois continentes, e, quem foi desta vez ‘ao passeio’em representação de Angola foi o vice-Presidente da República, Bornito de Sousa (o que esperemos que tenha tornado a viagem bem mais barata para os cofres públicos do que se fosse o chefe com toda a ‘entourage’ que tende a segui-lo aonde vai). Os fóruns deste tipo têm utilidade na medida em que reúnem decisores de vários países dos dois continentes e que têm o potencial de criar sinergias e projectos capazes de transformar as vidas de milhões de pessoas, a decisão quanto à produção de vacinas contra a covid-19 em países africanos é um exemplo. No entanto, tornam-se ‘passeios’ sem grandes consequências, à medida que os resultados práticos, em termos de reduções efectivas das assimetrias na qualidade de vida dos do hemisfério norte em relação aos do hemisfério sul, permanecem teimosamente imutáveis. Há séculos que África se mantém na cauda do desenvolvimento mundial apesar de todas as riquezas do subsolo e simultaneamente apesar de ser o receptáculo de vários tipos de solidariedade e de ‘ajudas’ há décadas. Errar é humano, mas insistir no erro já é dificuldade de aprendizagem… Pergunto-me, quando é que as nossas lideranças vão perceber que a solução provavelmente não pode vir de fora… É que, enquanto insistem no erro, África mantém-se na cauda do desenvolvimento de tal maneira que milhões de africanos continuam a arriscar a vida e milhares a morrer todos os anos no mediterrâneo ao tentar fugir do continente berço, rumo a uma Europa prometida…

Data de Emissão: 18-02-2022 às 18:20
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Edição de 11 de Fevereiro de 2022

Seja bem-vindo, ouvinte, ao espaço onde perguntar não ofende.

Data de Emissão: 11-02-2022 às 18:00
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Edição de 4 de Fevereiro de 2022
Data de Emissão: 04-02-2022 às 18:20
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Edição de 28 de Janeiro de 2022
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Edição de 21 de Janeiro de 2022

A actualidade mundial andou, esta semana, marcada novamente pela covid as suas variantes e todas as perguntas que continua a levantar. Andou marcada pela tensão Moscovo/Washington, com a troca de avisos e de acusações a subir de tom, com a Rússia a dizer que os EUA e a NATO andam a fornecer armas à Ucrânia (que está bem perto do seu quintal), e os EUA e a NATO a dizerem que a Rússia está a movimentar as suas tropas para invadir a Ucrânia… No Reino Unido, a tensão deriva do ‘Partygate’ e das festas que o primeiro-ministro permitiu e em que participou em plena pandemia, com as restrições que ele mesmo havia anunciado no que já se tornou uma investigação oficial. E, aqui mais perto, o continente regista mais um golpe de Estado, o terceiro em pouco mais de seis meses, a vez do Burquina Faso. Tudo isto enquanto o barril de petróleo se aproxima dos 100 dólares e entre nós o ‘xonera/nomeia’ continua, e continua com a elegância de um elefante numa loja de porcelana…
Porquê exonerar assim, tipo tentativa de provocar ataque cardíaco, apanhando os exonerados de surpresa, no caso do ex-comandante da Polícia Nacional, até em missão de serviço em que representava as instituições do país lá fora? Que imagem deixa lá fora? E dando continuidade às exonerações discricionárias que deixam mais perguntas do que respostas, uma tradição governativa daquelas que mereciam “corrigir o que está mal”, não?
A boa notícia da semana que passou foi para os funcionários da ZAP Viva. Parece que orar resulta (ou que há muito medo das pragas vindas de não ouvir as orações) porque o Ministério da Comunicação Social foi instruído a manter os empregos da estação televisiva a que retirou a licença com base numa falha administrativa qualquer tão mal explicada quantos à maioria das exonerações.
E não deixa de ser cómico este padrão de ordens superiores para manter os empregos de empresas que as ordens superiores colocaram em quase falência. Padrão porque vimos a mesma atitude quando o Ministério do Comércio reagiu a notícias de que uma das cadeias de supermercados que foi apreendida iria despedir trabalhadores. “Não estão autorizados a despedir ninguém!” – foi o que os gestores ouviram segundo fontes das empresas… Confiscam, travam o investimento dos accionistas, põem em causa contratos com terceiros, bloqueiam, manietam, mas exigem que se mantenham os empregos porque mais desemprego fica mal ao Governo – é cómica esta dissociação cognitiva da relação causa-efeito. Temos bons comediantes.
As imagens das filas de jovens de currículo na mão no Kero, na semana que passou, depois de anunciar que estaria a contratar, e antes disso, das filas no Grupo Boa Vida, as filas à porta do hotel que o chefe foi inaugurar em plena pandemia só para ter fita para cortar, e as filas que se registam sempre que há anúncios de emprego, ilustram bem o que é o desespero dos jovens angolanos, cerca de 60% dos quais desempregados. Um desespero que merecia melhor do que esta gestão atabalhoada, confusa, desordeira e desleixada, que leva a que um ministério suspenda actividades sem se preocupar em como as empresas vão cumprir contratos e pagar salários, para entrar depois em pânico quando começa a parecer mal, obrigando a que venham anunciar que vão manter empregos, tendo o Estado que assumir encargos que eram de privados. Um amadorismo predatório para o empresariado privado que só cimenta a instabilidade que não pode senão afugentar investidores que se quer atrair.
São boas notícias para o grupo de jovens da Zap Viva, mas e agora pergunto eu? Vão fazer o mesmo e responsabilizar-se por todo o restante desemprego que a gestão atabalhoada das ordens superiores gerou? Há desempregados dos outros dois canais que foram suspensos com a mesma desculpa de que faltava um documento ou questão administrativa qualquer. Mas há desemprego causado no sector da distribuição, na banca, na construção, na hotelaria, enfim, será que a solução é orarem todos em grupo para que o Governo, que anda a piorar o que estava mal em vez de melhorar seja o que for, os enquadre na função pública também?
A alternativa, mais efectiva à oração, tem sido sem dúvida a greve. E temos visto várias, que aconteceram ou que ficaram pela ameaça, com resultados em termos da negociação com o Governo e com as empresas públicas quase imediatos. São exemplo a greve dos médicos que culminou com algumas vitórias da parte da classe que reivindicava, por exemplo, o levantamento da suspensão ao líder do sindicato, e é exemplo a greve dos taxistas que, apesar do aproveitamento político que se fez, foi bem-sucedida no reverter imediatamente das restrições que haviam sido aplicadas à lotação dos táxis. No entanto, há ameaças de greve por parte do sector da hotelaria e restauração, por parte dos enfermeiros, por parte dos técnicos de comunicação das empresas públicas, por parte dos funcionários da Epal, e, esta semana, entraram em greve os professores que reivindicam aumentos salariais numa moda que parece ter pegado. Sectores descontentes e que têm o potencial de espalhar o seu descontentamento não faltam.
E, à medida que nos aproximamos de eleições, vemos cada vez mais o Governo, com a sua gestão assarapantada, andar feito bombeiro com balde a apagar os fogos que parecem espalhar-se à sua volta cada vez com mais rapidez. Esperemos que não lhe falte a água por causa de uma greve qualquer, enquanto marcamos aqui encontro para a próxima semana na sua Rádio Essencial e no Valor Económico.

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Edição de 14 de Janeiro de 2022

Enquanto o petróleo está esta semana a caminho dos 90 dólares por barril, os nossos líderes decidem acirrar e regar a crise política dos últimos anos com os seus derivados em vez de estarmos a ver com clareza os caminhos para o país sair da crise económica e social onde anda imerso aproveitando essa alta que deixou para trás os anos negros de barril a 30 e 40 dólares…

 

A greve dos taxistas, uma greve anunciada, convocada por associações reconhecidas e com objectivos reivindicativos claros e justos para o sector que salva a transportação nacional na ausência de um sistema de transportes públicos funcional, foi aproveitada para desvios de viés político que culminaram com prisões provavelmente arbitrárias e uma sala cheia de confusão belicista em horário nobre da televisão pública. Isto sendo que na semana anterior ‘o chefe’, numa demonstração da clarividência (que tanto atribuíam ao chefe anterior), falou em queimas de pneus e eis que pouco tempo depois vêem-se incêndios nas ruas…  Logo depois deita-se mais combustível: “foi a oposição que queimou”, “isto é um acto de terrorismo”… Enfim o melhor comentário que li sobre esta tristeza veio do sociólogo Paulo Inglês quando disse: “parece que queimar pneus na rua enfurece mais do que ver crianças de três anos um dia inteiro sem comer nada… é atrofia política” – tudo dito.

 

O jornalista José Gama, a propósito dos acontecimentos da semana passada, escreveu um texto que vale a pena ler a lembrar um episódio de 1998 quando a Embaixada de Angola na Zâmbia sofreu um “ataque de terrorismo”, que terá sido também atribuído à UNITA, mas que as investigações – que se fazem e se devem fazer antes de se tirar conclusões sérias e responsáveis sobre qualquer evento que ponha em perigo o público – investigações feitas pelas autoridades zambianas revelaram diferente. Antes do atentado, que aconteceu num domingo e, portanto, num dia que teria sempre menos pessoal, um grupo de angolanos teria visitado o país usando identidades e motivações falsas, que levaram as autoridades zambianas a concluir que os elementos seriam da segurança de Estado angolana. Isto sendo que os funcionários da embaixada também retiraram as suas crianças da escola sugerindo uma preparação para algum evento que teriam conhecimento estar para acontecer. Esses factores levaram as autoridades da Zâmbia a concluir que o grupo estaria associado ao atentado terrorista.

 

Voltando ao presente, não faltam comentadores jornalistas e afins a questionarem-se sobre como foi possível a vandalização do Comité do MPLA a poucos metros de uma esquadra de polícia e sem que se vissem as intervenções musculadas a que a PN tende, sempre que há manifestações em Angola.

É verdade que a polícia é quase sempre criticada por excessos nas reacções a manifestações, excessos que já resultaram em mortes, mas também é verdade que ‘quando a esmola é demais o pobre desconfia’ e que a quase ausência de polícia a meio daquela vandalização se torna, por experiência, algo questionável.

 

Estes acontecimentos e sobretudo o tom inflamatório que as comunicações das nossas lideranças assumiram lembraram-me o livro do jornalista de investigação e escritor Eric Frattini intitulado “Manipulação da verdade – operações de falsa bandeira” que comecei e não terminei de ler porque provavelmente me distraí com outro qualquer entretanto, e que fui resgatar à pilha de livros adiados a propósito dos acontecimentos da semana que passou.

 

Então resumindo: as “operações de falsa bandeira” são operações encobertas destinadas a culpar terceiros com o objectivo de ganhar vantagem sobre eles através da reacção que é possível gerar de toda e qualquer acção. E estas operações de falsa bandeira são variadas, pode-se ler no prólogo do livro que passo a citar: “desde um atentado terrorista até um atentado efectuado por forças militares, passando por actos de sabotagem como incêndios destruição de fábricas” etc… soa familiar não?

 

O prólogo explica também que os encarregados de realizar estas operações de falsa bandeira são geralmente os serviços secretos, pessoal geralmente muito qualificado e especializado, que são sempre uma componente fundamental destas operações…

 

E agora pergunto eu, que país teríamos se esta competência esta inteligência dos serviços de segurança estivesse de facto ao serviço do país, em vez de ao serviço de um partido ou de um homem ou dois? Que país teríamos se o investimento sistemático em manipulação da verdade e da opinião pública fosse canalizado para a investigação científica, para a educação, para a saúde ou para os transportes públicos que bem precisam? 

 

Todas as nações investem e devem investir nos seus serviços de inteligência, mas as vantagens de umas sobre as outras é precisamente esse comprometimento destas estruturas, não com pessoas ou com partidos que nos desgraça, mas com as suas respectivas nações.

 

Diz o livro que as operações de falsa bandeira são tão antigas e tão frequentes como a guerra que também sempre existiu desde que há registos históricos. Um dos exemplos mais notórios foi o incêndio de dois terços da capital do império romano, ao que tudo indica pela mão do imperador Nero que apontou depois o dedo fazendo recair a culpa sobre a comunidade cristã que foi torturada e morta aos montes. Em 1933 Hitler organizou um atentado contra si próprio para justificar a suspensão de direitos constitucionais. Em 1955 a Turquia executou um atentado contra o consulado do seu país na Grécia para justificar a violência contra os gregos, entre 1950 e 1970 o FBI americano levou a cabo atos violentos para culpar activistas políticos e assim justificar a repressão aos mesmos.

 

As nossas autoridades falam em “acções bem planeadas e que aproveitaram a greve dos taxistas”, mas resta perguntar “quem planeou” e sobretudo quem ganha mais com essas acções de vandalismo cirúrgicas? Para quem é que geram simpatia? O que não há dúvidas e que é perigoso é que apesar da ‘falsa bandeira’ muitas vezes as operações de falsa bandeira fazem vítimas bem reais, pessoas que perdem a vida apanhadas no meio do que não são mais do que encenações com objectivos políticos.

 

O livro de que falava documenta 24 outras operações de falsa bandeira que atestam que o acto de culpar os outos países, organizações ou grupos tem sido uma constante em qualquer luta pelo poder, partindo do princípio que a melhor maneira de motivar uma população não é através da razão, mas das emoções. Vemos essa sobreposição da emoção sobre a razão entre nós a muitos níveis. A evocação constante do medo gerado pelas memorias de guerra é um desses níveis, mas mesmo a nível individual há outros exemplos. Os ataques pessoais aos mensageiros de qualquer mensagem que saia do normativo são também normalmente ausentes de argumentos de razão que discutam a mensagem em si.

 

Francisco Viana em resposta às declarações do presidente quando disse que ‘os empresários nacionais são uma vergonha’, disse em entrevista ao Valor Económico que é a favor da alternância democrática e tornou-se acto continuo vítima de ataques de cariz pessoal que em nada discutem o evidente desgaste da governação decana a que fez referência. Provavelmente porque esse desgaste, que é natural ao fim de quase 50 anos com tanta promessa básica em falta, é indiscutível, obrigando assim a atacar o mensageiro por falta de melhor defesa. Mas Viana resumiu a problemática ‘que estamos com ela’ com uma pergunta, que sendo este espaço de perguntas vale revisitar, tendo também em conta a tendência para o incendiário que se vai revelando ultimamente: “o meu pai pode ser muito bom a conduzir, mas a minha mãe e irmãos também sabem conduzir. Porque é que só ele tem direito a conduzir quando que ele até está cansado, velho, ou bebeu e ainda vai conduzir e vamos todos partir a cara na parede?

 

 

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