Economia sem makas: Bolsa de turismo revelou que mais do que discursos, precisamos de acções concretas para o sector

A promoção de incentivos fiscais, actualização do quadro jurídico legal no sentido do Estado de remover as barreiras que minam o bom ambiente de negócios e atrasam o desenvolvimento da actividade turística, consta das recomendações apresentadas no encerramento do Fórum do Turismo, realizada, sábado, na cidade do Lubango (Huíla).

“A criação de mecanismos de financiamento ao sector é fundamental para impulsionar iniciativas inovadoras de micro, pequenas e médias empresas, como demonstrado pelas experiências dos países convidados”, frisa o comunicado do evento realizado durante a Bolsa Internacional de Turismo (BITUR 2024).

Os participantes recomendaram a criação de uma taxa turística como um mecanismo importante para garantir o financiamento da promoção da imagem do país, assim como de outras acções estruturantes para o desenvolvimento do sector.

O comunicado enaltece a iniciativa do Executivo de isenção de vistos para 98 países de todo o mundo, considerando um passo significativo para atrair visitantes.

 

Promoção da imagem do país
Os participantes consideram crucial o papel da TAAG na promoção da imagem do país, por isso defendem o ajustamento dos preços das tarifas praticadas pela companhia de bandeira nacional.

“Os preços dos bilhetes de passagem praticados e a qualidade de serviço prestado pela companhia de bandeira são considerados pelos turistas como inibidores ao fomento do turismo interno e à competitividade da companhia no mercado global”, afirmaram, defendendo a definição de estratégias conjuntas para melhor promover o destino e a Marca Angola.

Aposta nos privados

Os operadores do sector sublinharam que a cooperação e a coordenação entre o Estado e o sector privado, particularmente, por via das Associações do Turismo, é vital no desenvolvimento de acções concretas para a dinamização da actividade turística enquanto segmento do sector produtivo.

“Acreditamos que, ao abraçar estas directrizes, Angola está no caminho certo para se tornar um destino turístico de excelência, contribuindo significativamente para a diversificação económica”, auguraram os participantes.

O Fórum do Turismo, que reservou painéis temáticos aflorados por prelectores nacionais e estrangeiros, serviu para a partilha de ideias e experiências para fazer face aos desafios e oportunidades do sector do turismo em Angola.

Turismo pode contribuir com mais de 20% no PIB

O sector do Turismo pode contribuir com mais de 20 por cento de receitas para o Produto Interno Produto (PIB), se for explorado o máximo do seu potencial, disse, ontem, no Lubango, capital da província da Huíla, o secretário de Estado do Turismo.
Hélder Marcelino anunciou a estimativa em entrevista ao Jornal de Angola, à margem do Fórum de Turismo, inserido no Bolsa Internacional do Sector (BITUR 2024), realizado pela primeira vez fora de Luanda, de 2 a 4 de Maio, com participação de operadores nacionais e estrangeiros, oriundos de Cabo Verde, Marrocos e Portugal.

“O Turismo tem um potencial muito grande e pode ser como o de Cabo Verde, que contribui com mais de 20 por cento para o Orçamento do Estado. Se este sector funcionar em pleno e mantiver todos os outros factores constantes, o sector do turismo pode contribuir com mais de 20 cento”, disse.

O secretário de Estado do Turismo informou que o país possui cerca de 3.300 empreendimentos com condições de alojamento, espalhados nas diferentes províncias do país, com destaque para hotéis de diferentes categorias, pensões, aparthotéis, aldeamentos turísticos, resorts e simulares.

Os dados preliminares do projecto de inventário e catalogação de recursos turísticos apontam para a existência de 2.500 recursos naturais considerados como activos turísticos, numa altura em que o processo de inventariação contínua.

Hélder Marcelino disse que a recolha e registo de todos o património turístico do país vai permitir a criação da base de dados do sector e que a sua compilação vai ajudar na criação de uma plataforma digital para acomodar a riqueza existente a nível nacional.

Remoção de barreiras

O governante garantiu que o compromisso assumido pelo Ministério para a remoção dos constrangimentos neste momento é real, para que os fluxos turísticos possam ocorrer de forma mais célere e com toda a tranquilidade, assegurando a rentabilidade e sustentabilidade financeira para os operadores.

O secretário de Estado do Turismo considerou relevante o papel das instituições financeiras para potenciar os projectos dos operadores do sector, devendo para o efeito apresentarem iniciativas de investimento viáveis dentro do rigor e organização requeridos para acederem aos fundos existentes.

Disse que o sector privado deve ser mais dinâmico e apresentar projectos com as condições mínimas para terem acesso ao financiamento.

“Deve apresentar projectos bem estruturados e de forma rigorosa, sobretudo que haja garantia de uma viabilidade técnica e financeira, para que o capital seja reembolsado. Isso exige do sector privado uma organização e seriedade”, alertou.

Os projectos de investimento do sector privado submetidos à luz do Plano Nacional de Fomento ao Turismo precisam do apadrinhamento do Ministério de tutela para que ganhe confiança da banca, considerando a viabilidade técnica e financeira.

“É necessário desenvolver outras acções complementares para divulgação da imagem do país no exterior e melhoria das condições de acolhimento localmente”, exortam.

As condições das vias de acesso, sobretudo boas estradas, e o ambiente de segurança nos locais considerados como activistas turísticos são factores determinantes nos fluxos de turistas nacionais e estrangeiros ao país, concluíram os participantes na BITUR. Os Planos de Desenvolvimento Estratégicos, assim como os demais instrumentos de ordenamento turístico são fundamentais para acautelar o desenvolvimento estruturado da oferta turística, com vista a desenvolver um destino competitivo de classe mundial.

A aposta na formação técnico-profissional e capacitação abrangente a todos os agentes da cadeia de acolhimento deve ser encarada pelo Estado como sua principal missão, sem prejuízo da intervenção do sector privado ou da sua implementação por via da parceria público-privada.

Inclusão dos ministérios na Estratégia Nacional

Os participantes na Bolsa Internacional do Turismo (BITUR) recomendaram a inclusão de todos os ministérios na Estratégia Nacional de Desenvolvimento do Turismo.

“Pela característica transversal que o sector do turismo apresenta, o seu desenvolvimento carece da inclusão de todos os departamentos ministeriais, assim como dos diferentes actores, incluindo o sector privado, os académicos, e o cidadão comum, a fim de desenvolver acções de maneira concertada”, defenderam.

Os operadores do sector presentes no evento concluíram que os destinos turísticos com óptimas condições de acesso e seguros tendem a ser muito visitados, “sendo estes elementos fundamentais para geração de mais ou menos fluxos turísticos”.

“A melhoria das condições das estradas, assim como o aumento da rede ferroviária é importante, uma vez que constituem factores decisivos para o aumento dos fluxos de turistas para locais atractivos”, afirmam.

Para o caso de Angola, além da criação de condições de acesso e de segurança, é necessário desenvolver campanhas de marketing para a mudança da percepção relativamente à imagem do país, para mostrar o potencial existente e os avanços registados em vários domínios.

Data de Emissão: 08-05-2024 às 07:10
Género(s): Economia, Opinião
 
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